Um pequeno lugar onde a paisagem parou no tempo.
Um pequeno lugar onde a paisagem parou no tempo.
Breve apresentação
O município de Alcântara no Maranhão possui uma estrutura urbana muito parecida com a do centro de São Luiz. Percebemos mais ruinas e características urbanas dos séculos passados com as ruas calçadas por pedras incrustradas de minério de ferro, que em dia de chuva, dependendo do calçado que se usa, pode-se levar um tombo se não tiver cuidado.
Atualmente o município possui mais de 20 mil habitantes e é dividida em parte antiga e histórica que é a parte que cresce com as casas comuns atuais. Também neste município se localiza desde a década de 1980 a CLA, ou o centro de lançamento de Alcântara, que é uma base de lançamento de foguetes espaciais muito importante para o país e para as empresas da área espacial, pois a proximidade do local com a linha do equador, ou seja, próximo ao meio do globo terrestre, com uma atmosfera menos resistente, economiza em até 30% em custos no lançamento dos foguetes, comparadas a outras bases no mundo. É um local hoje guardado pela FAB, porém possuem um acordo com os EUA e estas políticas sofrem mudanças. Cabe lembrarmos do triste episódio em 2003, onde houve um acidente em um dos lançamentos cuja algumas vidas foram perdidas. Do lado de fora do museu memorial aeroespacial próximo ao aeroporto da cidade paulista de São José dos Campos, encontra-se um monumento obelisco em homenagem a estes cientistas heróis, me lembro disto quando o visitei no ano 2018.
Infelizmente não é fácil a visitação na CLA e ela fica
uns 18 km da cidade.
vista aérea do CLA de Alcântara. Foto retirada da internet.
O passado de Alcântara.
No passado, a cidade de
Alcântara, foi um centro urbano da aristocracia colonial maranhense que vivia da monocultura na produção de açúcar, algodão e da mão de obra escrava, e traz em
si muitas histórias e contos desta época como as duas ruínas de casarões
existentes, onde, diz se que dois aristocratas antagônicos queriam receber de D.
Pedro II o título nobiliárquico de Barão de Alcântara e esperavam a chegada do
imperador. Cada um construiu um casarão como disputa esperando que o imperador
pousasse nelas como preferência. Infelizmente o Imperador do Brasil não foi e as ruínas estão lá
testemunhando um conflito comum das famílias ricas, aristocráticas e de posses
do Brasil colonial.
Ruinas dos casarões que foram construídas como disputa da hospedagem de D. Pedro II
Como chegamos
Para chegar em Alcântara,
a partir de São Luiz, há dois caminhos: um demorado que é por rodovia e outro
por navegação de barco ou catamarã. O barco foi o transporte que utilizamos e
que a maioria da população utiliza de São Luiz a este município.
Os barcos tem suas saídas
pelas manhãs e voltas às tardes, todos os dias, e seus horários são regulados
pelas marés. Naquela região que fica a apenas 2 graus de latitude sul da linha
do equador, ou seja, no meio do hemisfério da Terra, o fenômeno das marés é algo
muito significativo, pois tem uma das 3 maiores amplitudes em todo o mundo, com
marés subindo até 7 metros em algumas épocas.
O preço da passagem foi de apenas 15 reais e no total fora 60,00. Como havia escrito
anteriormente, na segunda feira, no cais, um guia turístico nos abordou oferecendo seus serviços pelo valor de 80 reais por pessoa. Neste serviço
incluía as passagens, o guia propriamente, e uma subida por meio de uma jardineira da
entrada de Alcântara até o centro histórico. Preferimos ir por conta própria.
Então na terça feira
fizemos o mesmo trajeto da segunda feira até o cais. Uma fila grande estava
formada na entrada. Nesta fila tinham moradores, trabalhadores da prefeitura de
Alcântara e poucos turistas como nós e com seus guias.
O barco parece que nunca
sairia dali e não parava de chegar gente. Os assentos já estavam todos
ocupados e pessoas em pé, mulheres sentadas no chão com crianças, um calor
abafado, criança chorando, barulho ensurdecedor do motor do barco (aquele clima bem rural) e nós já estávamos
cansados de esperar o momento da partida. Até que insatisfeitos, muitos dos
passageiros começaram a cobrar dos responsáveis que saísse pois já não caberia
mais ninguém dentro do barco ( segundo eles) . Confesso que também fiquei temeroso.
Há muitas pessoas que
dizem que o balançar do barco gera um certo enjoo e por causa das
marés o barco balança de forma brusca, parecendo que irá tombar. Com isto nós
fomos umas das poucas pessoas turistas que resolvemos usar o colete na ida.
Depois de uma hora
chegamos no porto de Alcântara com a maré em alta.
Ao sair da embarcação um guia morador
da cidade nos abordou e ofereceu seus serviços por um valor de 20 reais e como
ainda não fechamos, ele foi buscar mais clientes e por fim, próximo ao porto
onde tomávamos café ele voltou e ofereceu por 15 reais por pessoa para nos guiar pela cidade.
Na realidade a parte
histórica além de linda é pequena, acredito que não há como se perder, os menos
curiosos por história podem se aventurar sem guia para conhecer este espaço. Eu
gosto de história, sem a história, para mim, o local não tem a vida. Resolvemos
fechar com o guia.
As características de nosso roteiro em Alcântara MA
Pode se observar ali a
igreja de são Mathias, na qual mantem hoje somente as ruínas e que parece ser o
monumento cartão postal da cidade. Esta ruina fica em frente a prefeitura que funciona
em um dos casarões que antigamente fora uma cadeia pública. Ao entorno daquela
área muitas casas mantém a arquitetura do passado colonial brasileiro expondo
um período diferente que era um Brasil agrário e escravocrata.
As ruinas.
Interessante entender que, hoje, estas paredes arruinadas dos monumentos, foram montadas com pedras da região e seus cimentos da época eram as terras argilosas da cidade, misturadas com óleos de mamona e óleos de baleia e os escravos socavam conchinas do mar e produziam pós que serviam de mistura para a massa como se fosse o cal dos cimentos que usamos hoje em dia. Este era o cimento daquelas construções antigas.
Existe ali, aos
arredores, uma das primeiras igrejas do local, N. S. do Desterro, com um sino do lado de
fora que montava um campanário. É um dos pontos turísticos que mantém suas lendas ao
tocar os sinos.
O centro histórico de Alcântara tem
muitas pousadas, um clima social receptivo, algumas lojinhas, sorveterias
típicas , restaurantes com internet e descanso em redes para quem quiser tirar uma soneca sob aquele calor depois do almoço, uma doceria
interessante, típica dos famosos doces de espécie.
Infelizmente não
experimentamos este doce de espécie pois o local da venda estava fechado no
momento em que fomos comprar.
vídeo dos doces de espécie e sua receita
Enfim, algumas coisas
foram legais outras me deixou um pouco frustrado. Eu esperava mais do guia em
relação a historicidade. Foi nos explicado mais os vieses da atualidade da
cidade e uma brevidade da história do passado colonial, que me parecia um pouco distorcida daquelas
que eu li nos livros. Os dois museus que eu pretendia visitar estavam
fechados, que é o museu da casa histórica de Alcântara (este eu vi que estava fechado)
e o museu do CLA, da base de lançamento de foguetes. Para mim um museu é como um coração
ou uma alma para uma cidade histórica, não há pulsação se não houver um museu
aberto!
Voltando
Terminado o roteiro fomos
almoçar no restaurante próximo ao porto, a maré estava baixa e víamos o fundo
da baía e do rio. O barco sairia apenas as 17:00h e ainda era meio dia. Ah!!😮Que
sol, que calor!! Estávamos "presos" ali. E depois de descansar, resolvemos andar
mais pelas bandas da cidade, conversar com alguns moradores, tomar alguns
sorvetes e tirar mais fotos, com exceção do calor, tudo foi bem agradável.
Na volta para São Luiz a maré ainda estava baixa, mas já dava para sairmos, e desta vez esquecemos até de colocar os coletes salva vidas, o sol aos poucos se punha (Ah!! Aquela lindeza de pôr do sol!😀💖) e ao meio do caminho, na viagem, senti uma sensação muito gostosa: resolvi ir lá para a ponta do barco e naqueles momentos a maré vinha se levantando e criava ondas que balançavam o barco fortemente, aquele vento, aquelas ondas que me molhavam e aquele “sobe e desce” inconstante do barco... que sensação boa!! - Quero outra vez! - Aos poucos sentia meus lábios ficarem salgados pela maresia, meus cabelos espanados como uma palha de aço da Bombril, bermuda e camisa molhadas pelas ondas que pareciam que abririam para nos engolir e se fechavam nos levando as alturas.
Alguns minutos depois avistava-se
da baía a linda fachada da cidade de São Luiz, seu lado moderno e seu lado
histórico. No dia anterior fotografávamos do mirante lá no Palácio dos Leões, aqueles que vinham no
barco sob o pôr sol, naquele dia éramos
nós que vínhamos e víamos os turistas no mirante esperando e fotografando até o sol se pôr.
Chegamos a São Luiz um pouco mais que as 18 horas. Fomos para a pousada, pois no outro dia nos esperava um paraíso brasileiro: os Lençóis maranhenses!!
https://sobretudoequandoquero.blogspot.com/2021/08/um-deserto-e-um-paraiso-no-mesmo-lugar.html
Uma viagem que duraria entre 4 e 5 horas.
Todos os escritos são baseados nas minhas percepções e informações adquiridas durante a viagem. Contanto há juízos de valor pessoal e pode conter equívocos de informações não intencionais.






























Parabéns pelo Blog Washington! Bela iniciativa!
ResponderExcluirAgradeço ao incentivo. Abraços.
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