Didaquê: as regras de conduta dos primeiros cristãos.


Didaquê: as regras de conduta dos primeiros cristãos?


Toda pessoa que pesquisar no Google sobre qual livro é o mais vendido e lido no mundo terá como resposta certeira que este livro é a bíblia sagrada cristã. Logo após virá, Harry Potter ou O pequeno Príncipe e etc.

Conforme o site católico cnbb.org.br, atualmente no mundo há uma população absoluta de 7,5 bilhões de pessoas, sendo que um pouco mais que 2,18 bilhões são cristãos. Estes mais de 2 bilhões se dividem em católicos e protestantes de diversas correntes denominacionais. O que torna interessante o número de bíblias vendidas e lidas, impulsionada ao fervor da fé cristã.

A bíblia para os católicos tem seu formato com maior integração de livros desde o Concilio de Nicéia no ano 325 d.C. que de acordo com o site bibliacatolica.com.br conta-se que:

"No século IV, a Igreja se reuniu em Concilio em Nicéia, e uma das tarefas era organizar o "cânon", ou a lista de livros sagrados considerados autênticos. Neste Concilio, os livros foram estudados e se investigou quais os que sempre foram lidos nos cultos e sempre foram considerados legítimos. E se estabeleceu a ordem ainda hoje conservada. O motivo pelo qual alguns livros foram postos em dúvida era a grande quantidade de livros apócrifos, que fazia com que se duvidasse dos verdadeiros. Havia muitos livros que os judeus não aceitavam. Então os Ss. Padres ponderaram os prós e contras e definiram a lista que foi aprovada."

Já para o grupo protestante, alguns livros propostos na bíblia católica não permaneceram como este “cânon”, ou seja, como serventia doutrinária, e foram retirados quando foram traduzidas pelos reformadores no século XVI, sendo o padre Martinho Lutero o principal destes reformadores e tradutores.

Concilio de Niceia ano 325 d.C.


No princípio de tudo...

Porém distanciando-se de todas estas vias históricas do período medieval até os dias atuais, no início da formação das comunidades cristãs, quando ainda elas estavam em transição, ou seja, saindo do judaísmo e criando sua própria identidade como comunidade especificamente cristã, nos meados do século I ( à partir do ano 50 d.C.), quando ainda estava viva boa parte dos apóstolos, quais estavam espalhados, evangelizando o mundo greco-romano na Ásia, norte da África e partes da Europa, e as cartas apostólicas ainda estavam sendo escritas especificamente para algumas destas comunidades, a bíblia como conhecemos ainda não existia.

Muitas daquelas comunidades cristãs primitivas da Palestina e regiões próximas como as da Síria, tinham seus fiéis que não conheciam pessoalmente os apóstolos e também não conheciam as pessoas vivas (já idosas) que foram contemporâneas e testemunhas dos episódios da vida de Jesus.

Para estes primeiros grupos seguidores de Jesus Cristo, ele havia morrido, ressuscitado e voltado ao céu em torno de uns 20 a 30 anos atrás!

Muitos destes irmãos (digo irmãos pois tenho esta fé, sou cristão) tinham muita curiosidade de conhecer e encontrar com estas testemunhas oculares de Jesus e saber mais sobre a sua mensagem e vida, para a manutenção da fé e amor comunitário.  

Para que a fé e os ensinamentos de Jesus não se dissuadissem com o tempo, e as palavras apostólicas ensinadas pelos anciãos, bispos e diáconos naquela época não fossem esquecidas ou distorcidas, para que se organizasse aquelas comunidades que estavam crescendo muito a cada dia, para evitar que pregadores canalhas, denominados na época de falsos profetas, usufruíssem da boa fé e do amor dos primeiros cristãos, grupos de pessoas responsáveis pelas comunidades da Palestina e da Síria se reuniram e fizeram um pequeno livro de 16 capítulos que poderíamos dizer que foi um protótipo de bíblia, que continha alguns ensinamentos apostólicos, indicação de como se portar diante da escolha de vida na sociedade,  rituais cristãos como o batismo e a ceia, alerta e discernimento sobre os tais falsos profetas da época que buscavam por dinheiro usando as pregações de fé como isca de suas intenções maldosas e avarentas e alertando sobre a volta de Jesus como esperança de redenção e vida eterna para os salvos.

Este pequeno tratado cristão é o chamado livro Didaquê!

Conforme o site cpaj.mackenzie.com.br:

“Em 1873, Filoteos Bryennios, um grego de Nicomédia, encontrou na biblioteca do mosteiro do Santo Sepulcro, em Constantinopla (Istambul), um rolo de manuscritos em grego, datado de 1056, copiado por um escriba chamado Leo. Tratava-se de 120 folhas de pergaminho contendo a Sinopse ... dos Livros do AT e do NT,(os apócrifos) a Epístola de Barnabé, as duas epístolas de Clemente, a Didaquê, a Epístola de Maria de Cassobelae a Inácio e a versão longa das cartas de Inácio (12 cartas).

 

 Existem outras versões antigas da Didaquê: (em linguagem)copta, etíope, georgiana e latina.”

 

representação dos 12 apóstolos 


Concluindo...

Atualmente o Didaquê torna-se um documento histórico, interessante, muito fácil e gostoso de ler, que nos ajuda a refletir um pouco mais sobre o passado e como os seus líderes comunitários zelavam para a preservação da fé em Jesus, relatando estas orientações nos meados do primeiro século, enquanto ainda não existia na íntegra o Novo Testamento bíblico e ainda se formava o embrião daquilo que viria a ser o cristianismo.

O livro Didaquê não substitui a bíblia sagrada, porém nos mostra com simplicidade e objetividade como em muitas igrejas cristãs ainda se preservam os rituais “genéticos” do cristianismo como o batismo e a ceia, e ensina como se preservar de canalhas gospel, digo, falsos profetas, que ainda estão rondando por muitos púlpitos das igrejas e mídias de hoje. 



Alguns textos interessantes da Didaquê:

·        CAPÍTULO I

1 Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2 Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

·        CAPÍTULO VII

1 Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 2 Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente. 3 Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 4 Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.

·        CAPÍTULO XI

4 Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor. 5 Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta. 6 Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar onde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta

 

Site que você poderá baixar o livro Didaquê em PDF:

https://spurgeonline.com.br/wp-content/uploads/2021/09/DIDAQUE_-_A_Instrucao_dos_Doze_Apostolos.pdf

CONSULTAS:

https://www.cnbb.org.br/cristaos-no-mundo-7-bilhoes-de-pessoa-dizem-professar-a-fe-crista-segundo-instituto-de-pesquisa-pew-research/

https://www.bibliacatolica.com.br/conhecendo-a-biblia-sagrada/3/

https://cpaj.mackenzie.br/historia-da-igreja/a-didaque/

Livro:  Didaquê: A instrução dos doze apóstolos





Comentários

  1. Excelente conteúdo e apresentação do tema.

    Os textos citados da Didaquê são muito úteis para nossa geração.

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    1. Agradeço sua leitura e análises sobre o texto. Seja sempre bem vindo.

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