2026: Um tour cultural pelas estradas da América do Sul
2026: Dez Anos de Estrada e o Pé no Altiplano
Entramos no ano de 2026 e, logo
de cara, com o pé na estrada! No terceiro dia do ano, partimos rumo a um
mochilão por quatro países: Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Foram, ao todo,
20 dias de cansaço, perrengues e descobertas fascinantes, tendo como grande
objetivo a mística cidade inca de Machu Picchu. ( leia nosso relato aqui:https://sobretudoequandoquero.blogspot.com/2026/01/machu-picchu-sob-as-nuvens-quando-chuva.html).
Neste ano, celebramos 10 anos desde que nos tornamos “mochileiros Nutella”, e nada melhor que esse desafio como comemoração. Aqui, vou explicar resumidamente por onde passamos e retratar as belíssimas paisagens que atravessamos longitudinalmente nesta nossa querida América do Sul.
A nível de biomas, partimos da Mata Atlântica, passamos pelos Pampas gaúchos, pelo Chaco argentino e pelo Deserto do Atacama; enfrentamos a aridez e a altitude dos Andes; navegamos pelo Lago Titicaca (o mais alto do mundo) e exploramos o maior deserto de sal do planeta, com suas paisagens espelhadas em tons azuis-celestiais. Para fechar, no retorno, ainda conhecemos um pedacinho do centro da única megacidade da América Latina: São Paulo.
A Partida e a Travessia
Argentina
Saímos de São Paulo às 5 horas da
manhã, ainda no escuro, sob nuvens carregadas que anunciavam chuva. Descemos
por Curitiba e chegamos ao início da madrugada em Porto Alegre (RS). Durante o
trajeto pela BR-101, pude observar as belas lagoas do Rio Grande do Sul
e ver, ao longe, as praias de Santa Catarina. Ao atravessar o estado gaúcho de
leste a oeste, a escuridão da madrugada não me permitiu ver os pampas até o
amanhecer, quando chegamos à fronteira em Uruguaiana e entramos na Argentina
por Paso de los Libres.
Seguimos em uma longa viagem
atravessando dos pampas argentinos ao Chaco, regiões que ficavam cada vez mais
áridas e quentes — o que faz jus a uma dessas regiões, denominada Pampa del
Infierno.
No interior do norte argentino,
passamos por Corrientes, uma cidade citada no livro Maldita Guerra, de
Francisco Doratioto, que narra a marcante Batalha do Riachuelo, ocorrida na
confluência do rio Riachuelo com o Rio Paraguai. Riachuelo é uma cidade
pequena, e o rio continua ali, testemunhando até hoje um episódio de que o
Brasil se vangloria.
| Rio Riachuelo a sua montante: aqui aconteceu a famosa batalha vencida pelo Brasil na Guerra do Paraguai. |
Salta, Jujuy e a Subida dos
Andes
Após quase um dia de viagem sobre
a vasta planície, chegamos a Salta, cidade aos pés da Cordilheira dos
Andes. Lá, está o Museu de Arqueologia de Alta Montanha (MAAM),
onde estão expostas as múmias incas conhecidas como Crianças de Llullaillaco,
encontradas em 1999 perto do cume do vulcão de mesmo nome. Após a visita,
seguimos para pernoitar em San Salvador de Jujuy.
Museu de Alta Montana ( imagem de |
No dia seguinte, partimos para o
Chile com destino a San Pedro de Atacama. No caminho, paramos na
pitoresca Purmamarca, uma cidadezinha turística na subida da cordilheira
que guarda traços da colonização espanhola e o famoso Cerro de los Siete
Colores.
Antes de entrar no Chile,
sentimos os efeitos da subida: a falta de ar devido à altitude (o famoso soroche)
e a mudança brusca do calor da planície para o frio das montanhas. Atravessamos
as Salinas Grandes, um pequeno deserto de sal no altiplano argentino, já
na fronteira chilena.
O Céu do Atacama e o Oceano
Pacífico
Chegamos à noite em San Pedro de
Atacama. Durante a madrugada, no deserto, participamos de um tour astronômico.
O céu do deserto é límpido, sem nuvens e luzes artificiais. Pudemos analisar o
fantástico brilho das estrelas e o reflexo da luz dos planetas do nosso Sistema
Solar, além de presenciar a passagem instantânea de três meteoros.
| Foto ao fundo com a Via Láctea no tour astronômico |
| Anoitecer na famosa rua Caracoles em San Pedro |
| Descontraindo em uma tarde muito quente no hotel |
Saindo de San Pedro, descemos
para o outro extremo da Cordilheira e chegamos a Arica, cidade portuária, onde o deserto
se encontra com o Oceano Pacífico. Arica é uma cidade moderna, apesar de estar no deserto.
Visitamos o Morro de Arica e seu museu, local onde o Chile se orgulha da
vitória sobre o Peru em 1880, durante a Guerra do Pacífico.
| A interessante curva do pacífico que é a curva do continente sul americano. |
| Ao fundo o Museu da batalha de Arica |
| canhões usados na Guerra do Pacífico |
| ao fundo o morro de Arica |
| uma cidade portuária no oceano Pacífico |
Cusco, o Titicaca e o Espelho
de Uyuni
Seguimos para Cusco, no Peru,
subindo novamente a cordilheira. Ficamos cinco dias na cidade, com um dia
dedicado à encantadora Machu Picchu. ( leia sobre nossa estadia em Cusco: https://sobretudoequandoquero.blogspot.com/2026/01/cusco-o-coracao-pulsante-do-imperio.html )
No retorno, descemos até a cidade de Puno, na
fronteira com a Bolívia, para conhecer a comunidade de Uros no lago Titicaca. Eles vivem
em ilhas flutuantes construídas manualmente com juncos nativos (totora).
É fascinante ver uma comunidade de mais de 2.500 pessoas vivendo sobre as águas
do lago navegável mais alto do mundo!
| Demonstração de como a comunidade constroem suas ilhas com juncos. |
| Arredores do lago Titicaca |
| Cotidiano dos povos de Uros |
| Toda lenda da origem Inca surge no lago Titicaca |
| Casas sobre as ilhas fluuantes de junco |
Atravessamos para a Bolívia e passamos por Tiahuanaco e El Alto à noite, próximo à acolhedora La Paz. ( leia sobre quando fomos a Tiahuanaco: https://sobretudoequandoquero.blogspot.com/2024/01/tiwanaco-civilizacao-pre-inca.html )
Na manhã seguinte, chegamos ao nosso último destino: o Salar de Uyuni. Formado pela evaporação de lagos pré-históricos, o lugar é um fenômeno, especialmente no verão, quando as chuvas criam um efeito de espelho que reflete o céu. É a manifestação da perfeição divina para aqueles que, como eu, possuem a fé.
| Bons companheiros na hora do almoço em pleno deserto de sal |
| Cemitério de trens abandonados no início do século XX |
| "É da natureza de vocês se destruírem." Exterminador do Futuro. |
| Vem chegando a tempestade lá atrás. |
O Retorno e o Centro de São
Paulo
Após três dias de estrada na
volta, chegamos a São Paulo. Aproveitamos para conhecer partes do centro paulista: a
Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento, a parte externa do Teatro Municipal, o Pátio do Colégio e o Viaduto do Chá. Nesta etapa fomos guiados pelo
colega Sérgio Gonçalves, um professor barbacenense que, como diria Nietzsche,
vive com a "Vontade de Potência".
| belíssima simetria na catedral |
| Osso do padre manoel da Nóbrega: ìcone na formação de São Paulo |
| Pátio do Colégio que iniciou a formação de São Paulo |
| Esta cena me trouxe muitas reflexões sobre a fé e a falta de ações humanas. |
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